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Eunice Muñoz: uma vida dedicada à representação


A 28 de novembro de 2016, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, decorreu a “Iniciativa Eunice Muñoz – Uma lição de 75 anos de carreira”. Diogo Infante conduziu a cerimónia, que contou com a presença de amigos e colegas da atriz, e conversou com Eunice Muñoz sobre os longos anos dedicados à representação.

Nasceu numa família de atores e começou a representar em criança. Com apenas 13 anos, em 1941, estreou-se no Teatro Nacional D. Maria II, com a peça “Vendaval”, encenada por Amélia Rey Colaço, que a ajudou a dar os primeiros passos na sua carreira. Muitos foram os encenadores e atores que se cruzaram com Eunice Muñoz, o que a ajudou a evoluir e a tornar-se a diva que ainda hoje vemos no ecrã. A atriz integra atualmente o elenco duma telenovela da TVI, “A Impostora”, provando o seu amor à profissão, não acusando cansaço aos 88 anos. Desde que se aventurou neste mundo, fez somente uma pausa, dos 23 aos 27 anos, não por falta de propostas, mas por querer frequentar outros ambientes. Percebeu que precisava do palco, tal como o palco precisava dela, e começou também a fazer cinema, em 1946, com Leitão de Barros, em “Camões”. Quanto ao pequeno ecrã, estreou-se em 1957.

Em 2011, recebeu a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, entregue pelo então presidente da república Aníbal Cavaco Silva. Ao longo da sua carreira, foi premiada por diversas vezes, inclusivamente no tempo do fascismo. Ao lembrar a censura, lamenta que alguns dos projetos em que trabalhou não tenham chegado ao público. A censura não a fez parar, mas condicionou-a, assim como a muitos outros atores da sua geração, que perderam papéis que os poderiam lançar para projetos mais ambiciosos. Quando recorda os exemplos para a sua geração de atores, destaca Francisco Ribeiro, ao qual se refere como mestre. Também a Escola de Teatro do Conservatório Nacional, que terminou com 18 valores, foi fundamental para a sua evolução. A dedicação aliou-se ao talento e transformaram-na numa das melhores atrizes portuguesas.

Sofreu uma queda na véspera da estreia da peça “O Comboio da Madrugada”, em 2011 e, posteriormente, em 2013, perdeu a voz, ao ser operada à tiroide. Nenhuma dessas dificuldades a fez abrandar e regressou ao trabalho assim que recuperou. Perante isto, é fácil perceber que o segredo do sucesso da atriz passa pelo amor à representação. Em 2017, teremos a oportunidade de a ver em palco, como protagonista da peça “Rei Lear”, de Shakespeare.

A sua família incutiu-lhe o interesse pela representação e trouxe-a da Amareleja, no Alentejo, para Lisboa, o que possibilitou revelar o seu talento, que era claro aos olhos de grandes nomes do teatro português. Hoje, é claro para todos nós que esta atriz ficará na história da nossa cultura.


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