Marcha das mulheres: “Os direitos das mulheres são direitos humanos”
- 3 de mar. de 2017
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No passado dia 21 de Janeiro, cerca de 5 milhões de pessoas em 60 países diferentes, saíram às ruas para protestar em favor dos direitos das mulheres.
Em Washington a multidão era de cerca de um milhão de pessoas. Entre eles mulheres, homens, crianças e idosos, que defenderam avidamente os direitos femininos. A multidão de gorros cor-de-rosa alçava os cartazes com a mensagem mais importante da marcha: “Os direitos das mulheres são direitos humanos”.
Esta mobilização surgiu um dia após a tomada de posse de Donald Trump como 45º Presidente dos Estados Unidos da América e com isso está inteiramente relacionada. Já foram debatidas exaustivamente as alegações de Trump no que toca a debruçar-se sobre o sexo feminino, que justificadamente têm gerado controvérsia em tempo de campanha, sendo agora agravadas, uma vez que assumiu o cargo executivo mais importante do país.
As ofensas físicas e psicológicas, num discurso repleto de machismo e desconsideração, conduziu a uma defesa cada vez mais acérrima por parte das minorias e das mulheres, que sentem os seus direitos ameaçados. Destaco “my p*ssy ain’t for grabbing” como um dos slogans mais ousados e desconcertantes da manifestação, numa era em que é necessário desconcertar e mudar a conjetura.

Nos EUA as mulheres têm pleno direito de voto desde 1920, data que chega a ser ridícula quando pensamos que ainda não teve centenário, ou se pusermos em perspetiva a idade da nação. A história mostrou-nos como as mulheres foram subjugadas em relação aos homens, privadas dos seus direitos e da sua dignidade, tidas como inferiores. Uma inferioridade falsa, insípida e manobrada, que na realidade nunca existiu. A caminhada tem sido longa e elas sabem-no. Já muito se atingiu mas ainda há muito a fazer, tanto legalmente (no que toca a igualdade salarial por exemplo), mas principalmente na lida entre as gentes, na mentalidade machista que muitos nutrem erradamente, nos estereótipos que ainda se assumem. E é neste parâmetro que nós mulheres não queremos regredir. É aí que o medo nos assalta. Mas esse mesmo medo torna-nos proactivas e a Marcha das Mulheres é justamente um vincar o pé, face a um presidente que trata as mulheres como um objeto concebido para o prazer masculino e que tem a própria filha como sex symbol predileto, quando um presidente deve salvaguardar os interesses dos seus cidadãos (mulheres incluídas, Sr. Trump!).
A manifestação contou ainda com a presença de celebridades como Madonna, Natalie Portman, Scarlett Johansson, Connie Britton e Alicia Keys, nomes que puseram em relevo o movimento. Em resposta, Trump postou a 22 de Janeiro: “Celebs hurt cause badly”.
A marcha das mulheres foi já considerada a maior manifestação inaugural da história dos Estados Unidos da América. Segundo o jornal Público, o metro da capital federal dos Estados Unidos contabilizava até às 11h (16h em Portugal continental) 275 mil viagens, sendo este número mais 82 mil do que as registadas na tomada de posse de Donald Trump.

Trump respondeu de forma agreste ao protesto, com o restauro da “Política da Cidade do México” (abolida por Bill Clinton em 1993, restaurada por George W. Bush e novamente abolida por Obama em 2008), cortando dessa forma o financiamento a ONG’s que realizem abortos, nomeadamente à organização Planned Parenthood, responsável pelo planeamento familiar em centenas de países subdesenvolvidos, que de outra forma não têm acesso a métodos contracetivos ou à realização de abortos. Assinou igualmente o fim do Obamacare, o serviço de saúde criado por Barack Obama que pretendia estender os cuidados médicos aos menos desfavorecidos, num país onde o serviço de saúde público é inexistente.

































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